Páginas

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Meio da Vida

Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.


Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.

No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.


Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.


No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.


Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.


No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).


Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.


No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.


Martha Medeiros 

Sou apaixonada por estas crônicas da Martha...Sempre leituras muito agradáveis e nos trazem sempre alguma reflexão. Aliás, este é um ótimo momento para reflexão, final de um ano, início de um novo. Novo ano, novo ciclo, e com ele, novas esperanças, novos sonhos, novos objetivos, novas perspectivas. E a cada início de ano, tudo se renova! E a cada balanço de final de ano, percebo que amadureci mais um pouquinho. Todos nós vamos amadurecendo ao longo do tempo, uns mais cedo, outros demoram um pouco mais...mas o que importa, é que sabemos que todos estamos aqui para evoluir, crescer, se melhorar, nos ajudando mutuamente. Então, como está o seu balanço de final de ano, já começou??

Beijos!!♥

9 comentários:

Vanessa Gaia disse...

Realmente a Martha é excelente, e essa eu não conhecia...xero de flores pra ti...

✿ chica disse...

Também gosto muito dela e ela sempre acerta em seus enfoques. beijos,lindo dia!chica

Vanessa Gaia disse...

adorei te ver lá na divulgação...xeros

Kellen Bittencourt disse...

Oii Mari, adorei especialmente da frase "sexo sem amor é ginastica" Algumas amigas precisam saber disso rsrs eu tbém adoro tudo que a Martha escreve, é sempre uma ótima reflexão! Bjooos

MINHA VIDA DE CAMPO disse...

Ficou me perguntando de onde vem tanta inspiração para escrever palavras tão verdadeiras, admiro muito quem tem o dom da escrita e tu também és uma pessoa que expressa muito bem teus sentimento com palavras. Esse meio da vida que me preocupa ele passa tão rápido que quando vemos já estamos chegando ao fim. Mas temos que viver e ser feliz, tu sabe que tive muito tropeços mas não consigo lembrar, só me vem a memória os bons momentos passado com pessoas queridas.
Bjos e tenha uma ótima semana cheia de boas surpresas.

Pedro Luis López Pérez (PL.LP) disse...

Vengo del blog de mamymilu (Carmen Lúcia.Prazer de Escrever) y me ha encantado tu Rincón; por lo cual, si no te importa, me gustaría ser seguidor de tan bello Espacio, que es el Tuyo.
Um abraço.

Vida & Plenitude disse...

Reflexão boa, Mari!
Cada dia é uma oportunidade p viver o melhor com amor e intensidade...
Gosto da expressão: "A vida é curta, então CURTA!"

Muita paz e beijos...

✿ chica disse...

Voltei pra dizer que podes estar à vontade.è um prazer!beijos,obrigadão,chica

Suelen Muniz disse...

Oi Mari,
Como é que a Martha Medeiros consegue escrever assim hein?!Nossa,tudo o que ela escreve é tão incrível,tem sempre algo a acrescentar as nossas vidas,ela é mesmo iluminada,porque sempre nos toca com a sua escrita.
Bom demais poder ler o teu blog.
Um lindo final de semana,abração,=)